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Instituto Estre facilita a construção de Plano Municipal de Educação Ambiental de Vinhedo

Por institutoestre

O Instituto Estre participou ativamente do 2º Encontro de Educação Ambiental da cidade, que reuniu especialistas e população para o início da elaboração do Plano de Educação Ambiental do município.

Na foto, a gerente educacional Alciana Paulino, do Instituto Estre, conversa com presentes no encontro em Vinhedo
Na foto, a gerente educacional Alciana Paulino, do Instituto Estre, conversa com presentes no encontro em Vinhedo.

A equipe do Centro de Educação Ambiental do Instituto Estre em Paulínia participou do 2º Encontro de Educação Ambiental de Vinhedo, realizado no dia 13 de Novembro, no CEPROVI (Centro de Educação Profissional de Vinhedo/SP), que reuniu representantes da sociedade civil e grupos interessados em discutir a temática e iniciar a elaboração do Plano Municipal de Educação Ambiental da cidade. Para Jaime Cruz, Prefeito de Vinhedo, “a participação da população é de extrema importância para que se possa desenvolver ações nas questões ligadas ao meio ambiente e urbanismo para que possamos usufruir de um ambiente cada vez mais equilibrado em nossa cidade”.

Rosângela A. Martins Nogueira Grigolleto, Gerente de Educação Ambiental e Proteção de Mananciais da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo da prefeitura de Vinhedo (SEMARURB), explica que existe uma comissão municipal de educação ambiental responsável pela organização do plano, além da consulta a especialistas que trazem sugestões como a importância da participação da população, recomendação que originou os encontros. “Uma das coisas pedidas pela comunidade é que trabalhássemos mais a questão dos resíduos sólidos e da coleta seletiva. A outra, foi a formação de educadores ambientais no município”. Para Rosângela, a importância do Plano Municipal de Educação ambiental é a promoção de ações concisas, acompanhando o que está sendo realizado no município.

A programação do evento trouxe especialistas em educação ambiental com o intuito de compartilhar suas práticas, enriquecendo os debates e fortalecendo um olhar em relação ao município. Além da participação de Alciana Paulino, Gerente de Educação do Instituto Estre, estiveram presentes Maria Cristina Munhoz Franco, professora na Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista (FESB) e Ana Lúcia Floriano Rosa Vieira, Coordenadora Adjunta da Câmara Técnica de Educação Ambiental do Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (CBHPCJ) e Agente Interlocutor Intermunicipal do Projeto Gota D’Água CBH PCJ. Sandro Tonso, Professor Doutor da Faculdade de Tecnologia (ex-CESET) da Universidade Estadual de Campinas, fechou a programação com uma fala sobre sua experiência na elaboração de outros planos municipais e uma síntese das ideias do evento. 

Para Sandro, o 2º Encontro de Educação Ambiental trouxe uma “diversidade de olhares da educação ambiental, riquezas que não podem ser perdidas e que permitem que o plano, se bem conduzido, seja o resultado dessa diversidade cultural apresentada pelo município de Vinhedo”.  Sobre a participação do Instituto Estre dentro dessa diversidade de olhares, Cíntia Maciel, Assistente de Projetos do Instituto Estre, considera que “foi gratificante o reconhecimento da instituição como um ator relevante nos atuais debates ligados a sustentabilidade e educação ambiental”.

Outras etapas para a elaboração do Plano Municipal de Educação Ambiental estão previstas de acordo com Rosângela.  “A primeira etapa para a construção foi feita, mas sabemos que teremos outras reuniões para entrarmos em consenso sobre como será o plano, quais serão as etapas, seguindo a política nacional de resíduos sólidos. É através da educação ambiental que a gente vai conseguir reunir as pessoas que pensam igual e que querem contribuir realmente com políticas de educação ambiental para o município”.

Veja a entrevista que fizemos com o Professor Dr. Sandro Tonso sobre o evento e a importância da Educação Ambiental:

Qual é a importância da elaboração de um plano municipal de educação ambiental?

O Plano de Educação Ambiental precisa ser efetivamente participativo, e essa é a grande importância, juntar as pessoas para que elas se expressem, para que apareçam as diversidades e contradições, o que significa um processo lento. Com o plano municipal, é garantida a permanência da política pública, porque ele prevê recursos, responsabilidades, desdobramentos e atividades, anos de execução, instrumentos de avaliação e correção, garantindo assim a permanência da educação ambiental no município.

Qual é a importância da Educação Ambiental na transição para sociedades sustentáveis?

Não existe “A Educação Ambiental”. Existe um campo de “educações ambientais”, distintas entre si, com objetivos e metodologias igualmente distintos. Há autores e, mais que isso, práticas muito distintas, que muitas vezes se voltam para resolver a questão entre sociedade e natureza com foco na natureza: explicar que a natureza é importante, bela,merece ser preservada, a importância da coleta e destinação de resíduos adequada, a importância da água, como se o problema fosse a falta de informação. Essa é uma educação ambiental que costumamos chamar de conservadora,porque não mexe nas relações sociais e deixa a sociedade do jeito que está.

Um outro modelo de educação ambiental foca em também tentar resolver o conflito da degradação da sociedade com a Natureza, porém acha que não é suficiente dizer que a natureza é importante por entender que grande parte desses conflitos e degradações são decorrentes das pessoas, da exploração de pessoas e da desvalorização da cultura. Essa outra educação ambiental se posiciona mais para a sociologia ambiental, e coloca a inclusão social junto da valorização da natureza. Esse posicionamento precisa aparecer.

Qual é a diferença entre educação ambiental e gestão ambiental?

A grande importância da educação ambiental é trazer esse movimento de resistência e de valorização da inclusão como princípio fundamental radical para sociedades sustentáveis.

Criar uma resistência a um processo conservador que vivemos hoje, com retrocesso em diversas políticas públicas,ações de inclusão social, valorização de dimensões que eram excluídas da sociedade. Vivemos esse retrocesso na sociedade de modo geral, então é preciso criar essa resistência ou fortalecer a resistência que existe, fazendo com que a gente compreenda que as degradações ambientais são, antes de tudo, uma questão social.

Outra importância é fazer a diferenciação entre ações de gestão ambiental e ações da própria educação ambiental, entendendo que educação ambiental não pode se resumir apenas às ações coercitivas, de premiar atividades boas, ou que tenham um fundo compensatório no lugar de ações de transformações de valores, de ampliação de visão do mundo. Essa diferenciação entre gestão ambiental e educação ambiental é muito importante.

O papel da educação ambiental não é fazer uma horta, não é resolver o problema do lixo, não é proteger as florestas, não é economizar ou distribuir melhor a água. É formar pessoas que façam essas coisas. O papel da educação ambiental é com pessoas.

O que entende por degradação social?

A degradação no campo, na área rural, de poluição, concentração de terras, degradação do solo, lençol freático,cursos d’água, só existe porque, previamente, antes de tudo, existe uma degradação da imagem do camponês. Construir essa ideia de que ser camponês é ser atrasado, não ser desenvolvido, ou que a vida no campo é pior que na cidade, criadas as condições de que a escola do campo ou a saúde são piores que a da cidade, estimula a concentração de terras na mão de poucas pessoas porque ninguém mais vai querer morar no campo, e aí a terra vira indústria. Temos que fixar as pessoas no campo, respeitar os ribeirinhos, indígenas e valorizar os saberes que eles tem, o que leva a uma recuperação da questão ecológica.

O que destacaria dos temas discutidos no encontro?

O município de Vinhedo tem uma migração muito forte, Italiana numa época e Alemã numa outra, e é um município que tem uma base rural de famílias de pequenas propriedades, por mais que isso vá,lentamente, se degradando. Um destaque importante é justamente essa cultura tradicional, de saberes que os agricultores têm, da importância de uma valorização da história que o município tem com relação às migrações e aos agricultores familiares iniciais. Nem todos os municípios guardam essa memória,ou querem valorizar isso, e pode ser um diferencial importantíssimo para o plano de educação ambiental valorizar a ideia de pertencimento que outras famílias podem voltar a ter ao se reconhecerem como descendentes desses agricultores. Ao valorizar, ter orgulho de ser descendente, sentir essa importância,começa um processo de recuperação ambiental. Fundamental, isso.

O Professor Dr. Sandro Tonso é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, mestre em Geociências pela Universidade Estadual de Campinas e doutor em Geociências pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente é professor pleno da Faculdade de Tecnologia (ex-CESET) da Universidade Estadual de Campinas, atuando em pesquisas, ensino e extensão na área de Educação Ambiental, Ambientalização no Ensino Superior, Trabalhos Comunitários, Coletivos Educadores, Formação de Educadores Ambientais em parceria com instituições governamentais, não governamentais e comunidades da sociedade em geral.

Veja a matéria sobre o encontro no site da Prefeitura de Vinhedo:

http://www.vinhedo.sp.gov.br/2018/11/14/2o-encontro-municipal-de-educacao-ambiental-e-realizado-no-ceprovi/