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Contação de histórias: ferramenta para a educação ambiental

Por institutoestre

Você já ouviu falar em “Contação de Histórias”? Como o próprio nome diz, trata-se de uma atividade onde uma pessoa propõe uma narrativa em torno de um tema para uma pessoa ou um grupo de pessoas. Esta técnica tem sido utilizada pelo Instituto Estre, contando com uma profissional muito querida no palco: Kiara Terra. A contadora de histórias narra de uma maneira batizada por ela mesma de “história aberta”, com interatividade na qual o público dá novos significados a alguns objetos e ideias.

Esta ferramenta é um grande aliado para os diálogos que o Instituto estimula em torno do tema da Educação Ambiental, isso porque, a cada ano, Kiara constrói com a equipe de educadoras e educadores duas narrativas para diferentes faixas etárias. “A gente trabalha ‘ambiente’ pensando que ‘ambiente’ é a água, a terra, o ar. Pensamos na questão do lixo e do consumo crítico; mas antes existe o ‘ambiente invisível’: da memória, da capacidade de fazer vínculos e da capacidade de construção colaborativa”, explica a apresentadora do espetáculo Histórias para Pertencer ao Mundo, já há três anos sendo promovido nas ações do Instituto pelo país.

Kiara segue um roteiro elaborado coletivamente, mas as crianças – ou os adultos – não entram em cena com ela. Ao invés disso, a plateia toma as decisões e dá o rumo da narrativa. “Interagem de três formas diferentes: com o corpo, na dramaturgia e na cenografia”, enumera Kiara Terra, “o Histórias para Pertencer ao Mundo nasceu do desejo do Instituto de unir o trabalho que já faziam com espetáculos em escolas públicas pelo Brasil a esse conceito de histórias colaborativas”, completa a artista.

Sobre seu trabalho, ela se diz muito satisfeita e realizada. “Gosto muito da abordagem que o Instituto traz, saímos do lugar comum, construímos histórias de quatro a seis mãos, e a gente refaz até ficar redondinho”, revela. “Além desse trabalho mais artesanal, é um desafio gigantesco porque são muitos públicos diferentes. Do Paraná ao Ceará, os públicos são diversos”.

A permeabilidade do público torna cada apresentação um novo desafio para Kiara e para a equipe do Instituto, e como consequência novos resultados são colhidos. Uma vez, Kiara conta que, durante uma apresentação, perguntou do que era feito o ambiente. Prontamente, as crianças que assistiam ao espetáculo responderam que os componentes eram a terra, a água e o ar. Kiara rebateu com “Ué? Mas tem uma coisa invisível que também faz o ambiente que tem dentro da gente, principalmente feito de uma coisa!”. E o menino respondeu: “Do coração”.

O espetáculo de 45 minutos atinge uma média de 250 pessoas por apresentação, mas já houve ações para mais de 600 pessoas ao mesmo tempo. “É algo feito para o grande público, por isso que tem essa interação toda”, pontua a contadora de histórias. “Interativo não é fazer de conta que está ouvindo. É ouvir de verdade”, resume Kiara.