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Conheça a rotina de Orlei e seu caminhão de coleta em Curitiba

Por institutoestre

A figura do coletor é muito conhecida pela população, afinal de contas é quem “mostra a cara” pelas ruas do país ao recolher os sacos de lixo deixados pelos munícipes. Já pensou se ele tivesse que coletar todo o resíduo a pé? Seria inviável!

Eis que surge a indispensável figura de Orlei dos Santos Xavier, motorista de caminhão de lixo há 25 anos, que, junto com os coletores, é responsável por coletar e encaminhar o resíduo para a destinação correta. Orlei é funcionário da CAVO há 10 anos, uma empresa de coleta de Curitiba pertencente ao Grupo Estre, mantenedora do Instituto.

O motorista já cobriu turnos de dia e de noite, em diferentes bairros da cidade, e conta como é o dia-a-dia de um motorista de caminhão de lixo. Ele ressalta: “A minha rotina é um pouco mais puxada, porque eu gosto de estudar, então ao chegar em casa, dedico entre uma hora e meia a duas aos estudos”. Graduado em gestão ambiental e cursando pós-graduação em perícia e auditoria do meio ambiente, ele deseja crescer na empresa.

 O “arroz com feijão” do motorista de caminhão

De segunda a sábado, pouco antes das 19h30, Orlei chega à garagem da empresa, onde toma café no refeitório, resolve alguma eventual pendência com seu líder – como uma troca de EPI (Equipamento de Proteção Individual) – e bate o cartão para começar seu turno. Ao lado dele, outros 12 ou 13 motoristas completam a equipe, cada um acompanhado por cerca de 3 coletores.

A primeira atividade da noite é a “matinal”, uma reunião temática semanal de aproximadamente 20 minutos. “É bem pontual e funciona como um reloginho”, explica o motorista. Os temas são variados, por exemplo, às segundas é dia de reunião só entre motoristas, então eles vão para uma sala enquanto os coletores vão para outra. “É só assunto de motorista”, conta Orlei, “falar sobre trânsito, números da empresa, novas leis no CONTRAN, alguma determinação da empresa daquela semana… se mudar alguma coisa na lei, na próxima segunda-feira eles nos passam”, finaliza.

Às terças e sextas a reunião acontece com motoristas e coletores juntos, reunidos com o fiscal do setor. “Discutimos os problemas do nosso posto, e o fiscal passa gráficos de acidentes e de afastamentos”, conta o motorista. Às quartas, é com o departamento de recursos humanos. “Tiramos todas as dúvidas sobre folha de pagamento, mudança no plano de saúde, e coisas assim”, pontua. Finalmente às quintas, o técnico de segurança é quem conduz o encontro, onde são discutidas diretrizes de segurança do trabalho.

Terminada a reunião é hora de sair para a coleta. “Quem vai para a reunião está pronto para sair e começar a trabalhar”, enfatiza. O trajeto é normalmente o mesmo por um tempo, mas pode mudar. No caso de Orlei, às segundas, quartas e sextas, ele dirige pelo bairro de Ahú; e às terças, quintas e sábados, pelo Boqueirão, ambos em Curitiba, no Paraná. “Já trabalhei de dia, já fiquei de reserva, e a diferença é só o horário, a coleta é igual”, responde quando questionado sobre a diferença entre trabalhar em diferentes trajetos e turnos. Ao longo do roteiro, também acontecem paradas para descanso e para refeição. “A gente traz de casa, compra na rua, alguns setores ganham”, explica o motorista.

Bons momentos da coleta

É com alegria que ele recorda de episódios e hábitos que o encantam na profissão. “No setor que fiz de dia, por exemplo, todas as quartas-feiras tinha um munícipe que fazia um ‘café’ e praticamente obrigava a gente a parar, desligar o caminhão, tomar o café com pão e bolo feitos na hora com ele”, emociona-se.

Outro exemplo são os infinitos episódios com crianças, que praticamente obrigam os pais a os levarem para ver o caminhão passar. “Tem criança que chora se o pai não levar lá para ver o caminhão”, narra. “A gente se sente feliz, os piás que tão atrás do caminhão e tem um pouco mais de acesso dão um ‘tchau’, brincam com a criança pelo portão, e muitas vezes o munícipe vem entregar uma garrafa de água e quem entrega é a criança. Aí desce, conversa, buzina”, relata o motorista. “Meu setor da noite tem uma rua sem saída que eu tenho que entrar com o caminhão de marcha a ré. Tem um menino que escuta a sirene da ré, corre na janela e tem que dar tchau para ele de qualquer maneira”, conclui Orlei, grato por seu trabalho.

 Problemas relacionados aos resíduos

O turno acontece das 19h30 às 3h20 da manhã, mas às segundas e terças, dias de maior coleta, chega a concluir o trabalho apenas às 4h30. Isso porque, às segundas e terças, o caminhão enche tanto que é preciso descarregar as primeiras 12 toneladas no aterro de Fazenda Rio Grande, enquanto os coletores o aguardam em algum ponto pré-combinado, como um posto de gasolina ou um restaurante para terminarem as outras 4 ou 5 toneladas que faltam.

Mas não é só o dia da semana que influencia na quantidade de lixo. Segundo Orlei, a estação do ano também impacta bastante. “No inverno dá um peso, e no verão dá outro. Isso porque no verão corta-se muita grama, faz-se muita reforma, com média, de 10 a 12% a mais de lixo que no inverno. No inverno, a população fica mais reclusa”, explica.

No ano, a média de cada setor, segundo o motorista, aumenta 5%. “É o consumismo, né? A cada ano compra-se mais coisas, desfaz-se de mais coisas. E 70% do que eu coleto é reciclável, só que não está separado”, entristece-se.

Como colaborar?

Apesar da quantidade enorme de lixo gerado, o principal problema para ele são os objetos perfurocortantes que machucam os coletores, às vezes gravemente. Orlei ensina como deve ser feito o descarte correto: “Se for descartar vidro, copo, agulha, gilete, tem que embalar devidamente, e não esconder, porque talvez o maior problema é que as pessoas escondem o vidro. Abra uma garrafa PET, coloca o copo quebrado dentro, vede com fita crepe e deixe à mostra para que o coletor, quando chegar no lixo, a primeira coisa que ele aviste seja o objeto perfurocortante”, ensina o aplicado motorista. “Quando está escondido é que nem cachorro, outro acidente muito comum que enfrentamos quando o munícipe deixa o portão de casa aberto”, finaliza.