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Antônio Januzzi e o trabalho com Novas Tecnologias em Resíduos

Por institutoestre

Na foto, a máquina Finlandesa da Estre Ambiental batizada de Tiranossauro, pela sua enorme capacidade de triturar resíduos, que sofreu adaptações para sua operação no Brasil.

Existem inúmeras possibilidades para a gestão dos resíduos produzidos pelos cidadãos e empresas de uma cidade. Muitas vezes, não paramos para pensar que há gente que trabalha justamente para descobrir o que há de novo no mundo para a correta destinação, tratamento e valorização dos resíduos. Para se ter ideia, Antonio Januzzi, gerente de Novas Tecnologias em Resíduos da Estre Ambiental, mantenedora do Instituto Estre, é um profissional que trabalha na área há mais de 20 anos.

Seu trabalho é pesquisar mundo afora tecnologias que se adequem às políticas nacionais de resíduos, recomendar o uso destas nos centros de tratamento e lidar com diversos públicos afim de multiplicar o discurso pela correta destinação e valorização dos resíduos buscando o menor impacto ambiental possível.

Política nacional: aterro, lixão e valorização de resíduos

Para entender o trabalho de Antônio Januzzi é preciso entender a PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei nº 12305/2010, que preconiza a desativação de lixões, substituindo estes por aterros sanitários, entre outras questões. “Há muitos municípios no Brasil que ainda mantêm lixões e poluem o solo pela geração de chorume, poluem o ar pela formação de gases nocivos, o que pode até promover uma explosão”, alerta.

Mas as novas tecnologias vão muito além da existência de aterros sanitários. “A premissa da política nacional pede mais: a valorização das frações que compõe o resíduo”, coloca Januzzi, presumindo que o lixo não deve mais ser tratado como lixo, mas como material a ser valorizado.

Para medir a valorização do resíduo, vários aspectos devem ser levados em conta. “O primeiro, é o percentual que deixa de ir para aterros”, conta o engenheiro, “pois isso prolonga a vida útil do aterro sanitário, que tem uma duração de aproximadamente 15 anos”, completa.

Novas tecnologias a serviço do meio ambiente

Além dos mais populares métodos de reciclagem (reaproveitamento de materiais) e compostagem (aterramento da matéria orgânica para decomposição), existem muitas formas de valorizar um resíduo. “O pensamento é não deixar o ciclo acabar e encaixar esses materiais em novos ciclos”, conduz Januzzi.

O CDR (Combustível Derivado de Resíduos) é um bom exemplo de técnica de valorização. A Estre já produz esse tipo de combustível, que substitui combustíveis usados na indústria, como o carvão e o óleo, e tem o benefício de ser menos poluente na atmosfera. Outra forma de valorização é a geração de biogás nos aterros sanitários, a partir da degradação da matéria orgânica, que anteriormente era queimada (uma exigência legal), e agora produz energia em duas plantas da empresa, em Guatapará (SP) e Curitiba (PR).

Mas o que fazer com a matéria orgânica? “O resíduo urbano, a nível nacional (variando de cidade para cidade), tem, no mínimo, 50% de matéria orgânica”, ressalta Januzzi. A política nacional afirma que é preciso também valorizar esta fração de resíduo, e é aí que entra a compostagem e a digestão anaeróbia, com bactérias que “comem” o lixo.

Educação ambiental aliada às novas tecnologias

Independente dos percalços para se empregar novas tecnologias no Brasil, existe uma importante ferramenta que apoia o setor, criando reflexão sobre a geração e a correta destinação dos resíduos: a educação ambiental. Neste ínterim, entra o papel do Instituto Estre. “Entendo que o Instituto Estre tem uma participação essencial no desenvolvimento da questão da educação ambiental, no despertar da consciência do papel de cada um dentro dessa cadeia e da importância do assunto para as próximas gerações e a nossa própria geração, que já está sofrendo problemas graves em função de gestão inadequada de saneamento de uma maneira geral (lixo, afluentes, etc.)”, depõe o profissional.

A formação de públicos preparados para receber novas tecnologias são uma das chaves para a melhora nas resoluções que envolvem resíduos no Brasil, e Januzzi já tem em seus planos o primeiro passo para estreitar ainda mais a relação entre novas tecnologias e educação ambiental. “Pretendo aproximar mais estes temas e desenvolver um programa para ser propulsor desse assunto e da sua importância”.

A fragilidade do Brasil para a assimilação das novas tecnologias

Januzzi também enfrenta alguns obstáculos em seu trabalho, que colocam o Brasil em uma posição fragilizada no que diz respeito ao assunto. Além dos diversos lixões existentes, também existem problemas na composição do lixo, que é muito mal separado antes de chegar aos aterros. Na Finlândia, segundo Januzzi, o resíduo já chega mais seco, com correta separação, sem ou com muito pouca matéria orgânica, prolongando a vida do aterro e facilitando o emprego de maquinário para cada tipo de resíduo. Na Alemanha, modelo mundial em tecnologias para tratamento de resíduos, é proibido mandar matéria orgânica para aterros.

Mais um exemplo é o resíduo hospitalar norte americano, separado já dentro dos hospitais, ao contrário de nosso país, onde este tipo de resíduo – mesmo aquele produzido nos escritórios e refeitórios dos hospitais – vai para a mesma destinação. Ainda, vale comentar sobre a contaminação do solo, que ocorre muito mais rapidamente no Brasil por conta desta falta de atenção na separação. “Nosso lixo é diferente, nossas condições são diferentes”, explica o especialista. “Temos que fazer adaptações muito sérias das tecnologias para a realidade nacional”, completa.

Por fim, outro ponto importante no trabalho de Antônio Januzzi é acompanhar o desenvolvimento nacional no tema, acompanhando universidades e o papel das empresas no tema. “Tem muita coisa boa sendo criada no nosso país, e que muitas vezes nem é vista”, coloca.