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Você conhece o FunBEA?

Por institutoestre

E se os recursos destinados à promoção da educação ambiental pelo país fossem gerenciados e destinados para projetos diferentes, em localidades diversas, de forma organizada, para que se aproveitasse cada centavo em prol de um objetivo comum? Para isso foi criado o FunBea (Fundo Brasileiro de Educação Ambiental), uma instituição democrática e representativa, conveniada ao Ministério do Meio Ambiente, com um conselho consultor formado por nomes ligados ao meio-ambiente e à educação, de todas as esferas: federal, estadual, municipal, e também não governamental, como o Instituto Estre. Rachel Trajber, que atualmente transita da presidência para a vice-presidência do conselho do Fundo, nos concedeu uma entrevista na qual conta um pouco sobre a formação e a atuação do FunBea no país.

O Fundo foi lançado em setembro de 2010, a partir de uma ideia de Marcos Sorrentino, que foi diretor de Educação Ambiental no Ministério do Meio Ambiente (2003-2008) e assessor especial do Ministro da Educação (2012-2014). Rachel, que trabalhou na ideia com Sorrentino, explica que, “pela política nacional de educação ambiental, existe uma instância gestora que aponta para a criação deste órgão com um conselho gestor”.

Certos da falta de fomento e de recursos para pequenos projetos de educação ambiental, tinham a ideia de, quando saíssem do governo, construiriam um fundo que ajudasse a fomenta-los. “São pequenos projetos que vem de escolas, ONGs e grupos organizados para fomentar a educação ambiental orquestrada por essa lei.

“Apesar de o Ministério da Educação ter o Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) e o Ministério do Meio Ambiente ter o Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA), não existia um fundo especificamente voltado para a educação ambiental ou para pequenos projetos”, enfatiza Rachel. “Tem ações estruturais que os fundos financiam, como a construção de escolas, infraestrutura, materiais didáticos a nível nacional, mas não existia esse olhar para ações que chamamos de ‘estruturantes’, que são qualitativas e fazem toda a diferença”, explica a vice-presidente do FunBea.

A proposta trazida pelo FunBea consiste em alinhar a possibilidade de organizar editais que promovam a educação ambiental e a ajudar as pessoas a construírem estes projetos. “O que queremos é orquestrar esses projetos baseados no fortalecimento dessas políticas de educação ambiental”, conta Rachel Trajber.

Tratando-se de um fundo privado de interesse público, que precisa captar recurso na sociedade, seja de governos ou de empresas privadas, e transforma-los em editais que facilitam o desenvolvimento da educação ambiental local, o FunBea também conta com parceiros para otimizar sua atuação, como o Instituto Estre, que defende a mesma bandeira da educação ambiental ao lado do fundo. Um exemplo é o OBSERVAEA (Observatório de Educação Ambiental), que existe há cerca de 3 anos e monitora e avalia políticas públicas em educação ambiental, por exemplo.

Rachel é voluntária no cargo que ocupa, e acredita na proposta de criar um coletivo educador. “A ideia é criar um ‘coletivo educador’, formado por instituições de bairro, com alguém da prefeitura, CEMADEN, FunBEA e outros arranjos locais que vai educar localmente. É muito arrojado pensar nessa potencialização das capacidades locais, e é muito importante também”, coloca Rachel. “Potencializar as capacidades locais é ir além do ‘fazer com’, ‘fazer para’, é empoderar esses parceiros”, finaliza.